MINHA IGREJA RACHOU E AGORA?

VERDADE GOSPEL

“Uma igreja racha quando abandona aquilo para a qual foi constituída”. A frase é de Magno Paganelli, autor do livro ‘Socorro, minha igreja se dividiu’, relançado no fim de 2011 pela Arte Editorial, da qual é também diretor. A obra foi relançada e demonstra que quando a Igreja racha e nem sempre os membros e lideranças sabem o que fazer.
    Após dirigir uma congregação da Assembleia de Deus Bom Retiro, à época da 1ª edição do livro, Paganelli enfrentou mais uma divisão. A providência foi organizar uma nova célula e fomentar um novo projeto. “A estratégia que usei foi ministrar por dois meses sobre dons, funções, ministérios e demonstrar que todos temos uma função no Corpo de Cristo” conta o autor, que hoje ajuda, por meio da literatura que integra o cast de sua empresa, líderes a se posicionarem ante uma situação de crise dentro da igreja.
    Sua Igreja rachou ou está em crise, saiba o que fazer:
    O que fazer quando uma igreja racha?
Uma igreja “racha” quando abandona aquilo para a qual foi constituída. Quando deixa de fazer a diferença, quando abandona o testemunho e a evangelização, quando não se importa com as almas, quando não desenvolve os membros no que respeita aos dons e ministérios. Ela naturalmente irá rachar e enfraquecer-se.
Quais os primeiros sintomas de que algo não está bem e como revertê-los ainda no início?
Os sintomas em linhas gerais são a preocupação consigo mesma, eventos para os membros e não para os de fora, bem estar dos membros e programações que não expressem uma direção para fora. A palavra “Igreja” originalmente tem esse significado: para fora, sair. Quando ela se volta para dentro o desastre é previsível em 100% dos casos. Pode demorar mais ou menos, mas é fatal.
Você é da opinião que uma igreja precisa rachar para crescer?
Não. Quando seus líderes são atentos, responsáveis e consegue trazer os membros para a perspectiva bíblica, alimentando-os com Bíblia, envolvendo-os na vocação da Igreja, ela cresce sem precisar dividir-se. A questão que você colocou ocorre quando a visão bíblica é substituída pela corporativa, pela disputa de poder, o que é bem comum hoje. Inevitavelmente ela precisará rachar para “multiplicar-se”, mas não significa que irá “crescer”. Haverá novas igrejas, mas a mentalidade daquele que divide (salvo quando aqueles que ficam estão em flagrante descompasso com a Bíblia) denuncia a distância da proposta original de Jesus. Divisão (o racha) não é multiplicação, são operações distintas até em matemática. 
Numa situação de crise, qual deve ser a postura do pastor? Numa situação ainda mais grave, de confronto, o pastor deve ir pra briga?
O pastor é investido por Deus e responsabilizado por ele. Há casos nos quais o pastor deve permanecer firma em suas convicções; os membros esperam isso dele, não fraqueza. Mas o mesmo pastor também é investido de amor e saberá quando deverá ser conciliador. Cada caso exige uma habilidade, mas penso que em nenhuma ocasião a “ir para a briga” seja o mais aconselhável. Não cai bem a um pastor esse comportamento, essa postura. Basta ver os brigões da mídia, o mal exemplo que dão a cada programa que vai ao ar. Dá Ibope somente a quem é do time deles, mas nem sempre o time de Jesus é o time do povão.
Após um tempo de igreja rachada, líderes antigos acabam voltando para a igreja mãe? Você acompanhou muitos casos assim? Vê esta prática como um sinal de paz dentro da Igreja?
 Não recordo de um pastor que tenha voltado. Quando escrevi a biografia do Rev. Manoel de Mello, que havia sido cortado da Assembleia de Deus e depois fundou O Brasil para Cristo, anos depois ele reconciliou-se com a liderança da AD, mas não voltou, nem podia. Seu rebanho havia crescido, porque saiu na direção de Deus. Ele tinha um chamado maior que o de diácono que era quando começou a destacar-se. Isso sim é sinal da presença de Deus: a conciliação, mas não necessariamente a volta.
  Como deve ser, no caso  acima, a reconciliação do líder com a Igreja? O deve ser mantido e o que deve ser transformado neste novo começo?
   Quem sai porque quer destacar-se, quer simplesmente liderar um povo ou mesmo porque não consegue ajustar-se à antiga igreja, deve primeiro entender o que é igreja. Há  muita confusão sobre isso hoje, líderes despreparados, não leem a Bíblia, e não entendem o primário. Se entendermos o que é a Igreja, o que é o Reino de Deus (que são coisas distintas), acredito que muitos dos problemas existentes hoje seriam solucionados. Acontece que as pessoas querem viver na igreja guiadas pelos padrões das corporações, pela lógica de mercado. Não funciona, a Igreja é um organismo espiritual, com leis próprias. Ela tem um dono que cuida dela e não é na marra que as coisas mudam na Igreja. Portanto, penso que primeiro precisamos redescobrir o sentido de Igreja no nosso contexto brasileiro à luz do que a Igreja representa na História. Fechar os olhos a isso é caminhar para mais divisão, para escândalos e mais problemas que podem ser evitados.

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